Domingo, Outubro 29, 2006
[ROXIE]
Sometime's I'm right
Sometime's I'm wrong
But he doesn't care
He'll String along
He loves me so
That funny honey of mine
Sometime's I'm down
Sometime's I'm up
But he follows 'round
Like some droopy-eyed pup
He love me so
That sunny honey of mine
He ain't no sheik
That's no great physique
Lord knows, he ain't got the smarts
Oh, but look at that soulI
tell you, the whole
Is a whole lot greater than
The sum of his parts
And if you knew him like me
I know you'd agree
What if the world
Slandered my name?
Why, he'd be right there
Taking the blame
He loves me so
And it all suits me fine
That funny, sunny, honey
Hubby of mine
[AMOS (Spoken)]
A man's got a right to protect his home
and his loved ones, right?
[FOGARTY (Spoken)]
Of course, he has.
[AMOS (Spoken)]
Well, I came in from the garage, Officer, and I
see him coming through the window. With my
wife Roxanne there, sleepin'...like an angel...
[ROXIE]
He loves me so
That funny honey of mine
[AMOS (Spoken)]
...an angel!
[AMOS (Spoken)]
I mean supposin', just supposin', he had violated
her or somethin'...you know what I mean...
viloated?
[FOGARTY (Spoken)]
I know what you mean...
[AMOS (Spoken)]
...or somethin'. Think how terrible that would have been.
It's a good thing I came home from work on time, I'm tellin'
ya that! I say I'm tellin' ya that!
[ROXIE]
He loves me so
That funny honey of mine
[FOGARTY (Spoken)]
Name of deceased... Fred Casely.
[AMOS (Spoken)]
Fred Casely. How could he be a burglar?
My wife knows him! He sold us our furniture!
[ROXIE]
Lord knows he ain't got the smarts
[AMOS (Spoken)]
She lied to me. She told me he was a burglar!
[FOGARTY (Spoken)]
You mean he was dead when you got home?
[AMOS (Spoken)]
She had him covered with a sheet and she's givin'
me that cock and bull story abou this burglar, and
I ought to say that I did it 'cause I was sure to get off.
Burglar, huh!
[ROXIE]
Now, he shot off his trap
I can't stand that sap
Look at him go
Rattin' on me
With just one more brain
What a half-wit he'd be
If they string me up
I'll know who
Brought the twine
[AMOS (Spoken)]
And I believed her!
That cheap little tramp. So, she
Was two-timing me, huh?
Well, then, she can just
Swing for all I care.
Boy, I'm down at the garage,
Working my butt off fourteen
Hours a day and she's up mucnhin'
on god-damn bon bons and jazzing.
This time she pushed me too far.
That little chiseler.
Boy, what I sap I was!
That scummy, crummy
Dummy hubby of mine!
Sábado, Outubro 14, 2006
Chaves e Gavetas.
- Pois é, minha doçura, parece que estamos resignados às gavetas e às chaves.
- Uma chave significa muito, e mais que uma gaveta ainda mais. Ou se calhar ao contrário não sei bem.
- Não tens a porta aberta? E espaço de sobra para as tuas actividades? E condições para trabalhar? E um homem que te fode quando queres? E comida na mesa como e quando queres?
- Tenho, é verdade. mas quero mais que isso. Quero o meu espaço. Sozinha.
- Sozinha? Tu? Jorge Palma! Deixa-me rir! Sozinha tu, só se for para organizares os talheres, os tupperware's, e pouco mais. Nem sequer sabes mudar um rolo de papel higiénico, arrumar a loiça do jantar... quanto mais uma casa!
- SE eu tivesse quem me apoiasse, SE eu tivesse um objectivo comum com alguém, SE eu fosse equilibrada e sensata já teria um molho de chaves e um móvel de gavetas só minhas.
- SE tu quisesses já o terias: O homem, a chave e armários inteiros. Mas o que tu queres não é isso. O que tu queres é o brilho que, por mais que esfregues, não verás na mobília. O que tu queres é mais do que aquilo que podes ter; e isso já não é pouco.
- Sou impaciente? É isso que queres dizer?
- Não. És tu, mulher arrebatada no imaginário de Cortese, no sorriso dum palhaço qualquer, na determinção sindicalista dum operário rude. Tu és isso. Impaciência só mesmo para comigo e comigo. És bruta e altiva, o que te faz ridícula e convencida.
- Está bem, concordo contigo. Mas... e as vezes que me dizes que te faço falta e que viver sem mim é difícil? Isso é mentira?
- Não. Não minto. o que quero e desejo está bem definido na minha cabeça. Não sou quem tu queres e ponto final. Sou mais quem te dá jeito nesta altura, quem te atura, afaga, fode, ajuda e, acima de tudo, ama. Poranto o resto é conversa e lugares comuns.
- Não me faças isso, por favor!
- Não te digo que não nunca, apesar do meu inteiro ser dizer que o mundo termina em ti, não por ti, mas em ti. Dessa bengala precisas tu. Eu já consigo andar direito.
- Uma chave significa muito, e mais que uma gaveta ainda mais. Ou se calhar ao contrário não sei bem.
- Não tens a porta aberta? E espaço de sobra para as tuas actividades? E condições para trabalhar? E um homem que te fode quando queres? E comida na mesa como e quando queres?
- Tenho, é verdade. mas quero mais que isso. Quero o meu espaço. Sozinha.
- Sozinha? Tu? Jorge Palma! Deixa-me rir! Sozinha tu, só se for para organizares os talheres, os tupperware's, e pouco mais. Nem sequer sabes mudar um rolo de papel higiénico, arrumar a loiça do jantar... quanto mais uma casa!
- SE eu tivesse quem me apoiasse, SE eu tivesse um objectivo comum com alguém, SE eu fosse equilibrada e sensata já teria um molho de chaves e um móvel de gavetas só minhas.
- SE tu quisesses já o terias: O homem, a chave e armários inteiros. Mas o que tu queres não é isso. O que tu queres é o brilho que, por mais que esfregues, não verás na mobília. O que tu queres é mais do que aquilo que podes ter; e isso já não é pouco.
- Sou impaciente? É isso que queres dizer?
- Não. És tu, mulher arrebatada no imaginário de Cortese, no sorriso dum palhaço qualquer, na determinção sindicalista dum operário rude. Tu és isso. Impaciência só mesmo para comigo e comigo. És bruta e altiva, o que te faz ridícula e convencida.
- Está bem, concordo contigo. Mas... e as vezes que me dizes que te faço falta e que viver sem mim é difícil? Isso é mentira?
- Não. Não minto. o que quero e desejo está bem definido na minha cabeça. Não sou quem tu queres e ponto final. Sou mais quem te dá jeito nesta altura, quem te atura, afaga, fode, ajuda e, acima de tudo, ama. Poranto o resto é conversa e lugares comuns.
- Não me faças isso, por favor!
- Não te digo que não nunca, apesar do meu inteiro ser dizer que o mundo termina em ti, não por ti, mas em ti. Dessa bengala precisas tu. Eu já consigo andar direito.
Quarta-feira, Outubro 04, 2006
Robes e mobílias.
O robes não têm botões para se poderem entreabrir a olhares alheios. O teu corpo nu, cabide dum trapo qualquer de seda, debruçado sobre uma mesa de teca com rebordo para reservar migalhas de tostas com doce de figos e lágrimas de chá verde, esse corpo de filha adoptiva, é o que eu quero que tu queiras. O corpo e a tua cabeça no meu ombro, que te diz que estás segura apesar do tremer das minhas mãos que te percorrem o cabelo. Quem sou eu para me quereres que te queira mesmo assim?
Citada e querida.
Agora, ao citares-me senti-me como numa manhã há muito tempo. Estava eu nua debaixo de um robe, que se abriu, aos olhos do meu pai, numa mesa do pequeno almoço. Eu não sou quem tu queres.
Terça-feira, Outubro 03, 2006
Ela disse:
Tanto me faz o que sejas. O que me sejas é que não muda. Tenho albuns imensos de passado, diários escritos a dois religiosamente guardados. Quando aparece um novo amante, consulto-os em segredo. Ele dorme na cama, e eu, pé ante pé vou ter contigo e sussurro-te que tudo isto não é mais que uma repetição dos nossos encontros.
Domingo, Outubro 01, 2006
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
Terça-feira, Setembro 12, 2006
Tudo na mesma.
O hiato nada trouxe de novo. Se calhar é por isso que lhe chamo Hiato. As cabeças continuam confusas, o sexo continua bom e não se aconselha, a cama continua a ser o refúgio, a realidade continua a ser cuspida contra a parede e firmeza nem vê-la!
Sábado, Julho 29, 2006
Louça sanitária.
Deu-me cá umas saudades de te lavar o cú. Tu sentada de pernas abertas no bidé e eu a lavar-te por baixo, a mão por trás, e o sabão que te faz ainda mais escorregadia.
Sexta-feira, Julho 21, 2006
Refúgio aberto.
E pronto, disse ele, por agora chega. Descobriram o meu refúgio e já não consigo pensar só. Vou para casa dormir sobre o assunto. Fez as malas e foi-se.
Gaiola aberta.
Cantavas todos os dias pela manhã. Chilrear era o teu passatempo alegre. Anunciavas a alvorada com melodias finas e suaves. E eu gostava. Até que um dia percebi que o fazias, não só pela natureza musical do teu coração, mas também porque ansiavas o sabor do dia lá fora. Aquiesci e abri a gaiola para te ver voar, sem saber se voltarias ou não. Já não me interessa se voltas ou não. Só me interessa saber que voas mesmo.
Atento
- Não me disseste nada sobre a minha saia nova. Verde alface, justa, curta. Não te lembras nunca das nossas conversas, do nome das pessoas de que te falo, dos sítios onde vou com elas. Esqueces-te de acordar nos dias em que te peço para vires ter comigo e almoçar. Sinto-me disponível para os outros. O que queres que te diga mais? Nunca comentas o meu novo penteado, as unhas pintadas, a depilação feita a custo. Não apareceste sequer na vernissage da minha exposição. Toda a gente a perguntar por ti e eu sem saber o que dizer. Pouca gente das minhas relações te conhece, ou, se te conhece, raramente te vê ao meu lado. Quero sentir carinhos em público, mostrar-me amada, desejada. Passamos o tempo enfiados num buraco escuro e fumarento. Vou ter contigo, fodemos, dormimos, eu acordo e vou trabalhar e tu ficar ali, estendido nu nos lençóis marcados de sangue de resquícios do período. A ti basta-te foder-me o cu, apalpar-me as mamas e saber que mais ninguém o faz. Mas eu quero mais! Quero um projecto de vida, ser infiel por prazer e não por consequência. Quero a minha casinha onde são os outros que levam as cuecas, a escova de dentes e a roupa para o dia seguinte. Um espaço para as minhas coisas, os meus livros, a minha roupa e deixar de parecer uma nómada em tua função. Percebes?
- Percebo. Para mitigar esta nossa desavença, distancia ou disfunção (ou seja lá o que lhe queiras chamar) vou deixar o meu trabalho de guarda-nocturno. Eu estou atento.
…“de tudo ao meu amor serei atento. E antes e com tal zelo e sempre e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encante o meu pensamento.”
Vinicius de Moraes
- Percebo. Para mitigar esta nossa desavença, distancia ou disfunção (ou seja lá o que lhe queiras chamar) vou deixar o meu trabalho de guarda-nocturno. Eu estou atento.
…“de tudo ao meu amor serei atento. E antes e com tal zelo e sempre e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encante o meu pensamento.”
Vinicius de Moraes
Uma ilha no Rio
- Daqui vejo uma ilha no rio.
- Não é uma ilha, é um cotovelo. Deste ponto parece uma ilha, mas é o rio a dar uma curva apertada. Pareces fixado nisso.
- Com o quê? Com a ilha que não é, com o rio, com curvas apertadas?
- Se calhar com isso tudo ao mesmo tempo.
- Não. Preocupam-me mais outras ilhas, rios e curvas.
- Uma ilha num rio não faz sentido? É isso?
- Não, não. Há rios com ilhas, e ilhas em rios. As ilhas de que falo são outras. Sou eu, se calhar.
- Sentes-te uma ilha? Num rio? Com curvas?
- Sinto-me uma ilha num oceano de auto-estradas. Daquelas em que lá ficas, naúfrago dum amor acidentado. Daquelas em que as possibilidades de saída são imensas mas impossíveis.
- Impossíveis porquê? Não disseste “oceano de auto-estradas”? Não é a melhor maneira de lá escapar? Auto-estrada, sem curvas, directa, altas velocidades?
- Há sempre a portagem que não posso pagar.
- Não sejas tonto. É de mim que falas? Não te cobro nada e o meu coração está aberto a ti. Sai dessa ilha, seja no oceano ou no rio e vem ter com as minhas curvas.
- Isso dizes tu! Cobras-me a alma. E já te vejo ilha do rio que não é ilha, moinho de vento à Quixote. Deves ser só uma curva. É isso! Foste, ou és só uma curva no meu cardiograma.
- Dói-me que me vejas uma recta defeituosa.
- Não fiques triste. Há curvas perfeitas. Até são mais difíceis que as rectas! Olha para o teu corpo e diz-me que estou errado, se conseguires.
- Estava mais a gostar de ser a tal ilha no rio, que não é ilha, e que te fazia pensar que bastava uma curva para lá te ter. Afinal estava assim, perto de ti, à distância duma margem. Sim. Perto de ti.
- Fosse eu o rio a ter-te como ilha, a rodear-te. Mas mais não és que um cotovelo, uma outra margem dobrada. Aí sim! Estaria perto de ti.
- Podes ser na mesma o rio, estar perto de mim. Não precisas é rodear-me.
- Pois posso. Mas nunca vais deixar de ser a ilha que não é ilha, no rio que sou eu. Vais ser sempre a curva. E eu, de curvas, já estou farto. A não ser das do teu corpo.
Banda sonora: Highway to Hell - AC/DC
- Não é uma ilha, é um cotovelo. Deste ponto parece uma ilha, mas é o rio a dar uma curva apertada. Pareces fixado nisso.
- Com o quê? Com a ilha que não é, com o rio, com curvas apertadas?
- Se calhar com isso tudo ao mesmo tempo.
- Não. Preocupam-me mais outras ilhas, rios e curvas.
- Uma ilha num rio não faz sentido? É isso?
- Não, não. Há rios com ilhas, e ilhas em rios. As ilhas de que falo são outras. Sou eu, se calhar.
- Sentes-te uma ilha? Num rio? Com curvas?
- Sinto-me uma ilha num oceano de auto-estradas. Daquelas em que lá ficas, naúfrago dum amor acidentado. Daquelas em que as possibilidades de saída são imensas mas impossíveis.
- Impossíveis porquê? Não disseste “oceano de auto-estradas”? Não é a melhor maneira de lá escapar? Auto-estrada, sem curvas, directa, altas velocidades?
- Há sempre a portagem que não posso pagar.
- Não sejas tonto. É de mim que falas? Não te cobro nada e o meu coração está aberto a ti. Sai dessa ilha, seja no oceano ou no rio e vem ter com as minhas curvas.
- Isso dizes tu! Cobras-me a alma. E já te vejo ilha do rio que não é ilha, moinho de vento à Quixote. Deves ser só uma curva. É isso! Foste, ou és só uma curva no meu cardiograma.
- Dói-me que me vejas uma recta defeituosa.
- Não fiques triste. Há curvas perfeitas. Até são mais difíceis que as rectas! Olha para o teu corpo e diz-me que estou errado, se conseguires.
- Estava mais a gostar de ser a tal ilha no rio, que não é ilha, e que te fazia pensar que bastava uma curva para lá te ter. Afinal estava assim, perto de ti, à distância duma margem. Sim. Perto de ti.
- Fosse eu o rio a ter-te como ilha, a rodear-te. Mas mais não és que um cotovelo, uma outra margem dobrada. Aí sim! Estaria perto de ti.
- Podes ser na mesma o rio, estar perto de mim. Não precisas é rodear-me.
- Pois posso. Mas nunca vais deixar de ser a ilha que não é ilha, no rio que sou eu. Vais ser sempre a curva. E eu, de curvas, já estou farto. A não ser das do teu corpo.
Banda sonora: Highway to Hell - AC/DC
Terça-feira, Julho 18, 2006
Arena impossível.
Ela: És injusto. És injusto para mim... é doloroso pronto.
Ele: Está bem. Só estava a dizer que não foi propositadamente escrito para ser injusto.
Ela: Eu sei... Eu é que preciso de coisas impossiveis e estou praqui a degladiar-me com a realidade.
Ele: Dedo pra cima!
Ela: Hummm?
Ele: No Coliseu, se fosse eu o César, dava-te o polegar para cima.
Ela: E mandavas a realidade pró caralhinho.
Ele: Ganhavas tu!
Ela: Ena! Uma murraça na realidade e vamos praí viver dimensões paralelas!
Ele: Era só para te dar ânimo.
Ela: Seria muito interessante, mas cheira-me que não vamos poder montar um circo romano.
Segunda-feira, Julho 17, 2006
Texasville - Larry McMurtry
"Se gostas de alguém, solta-o. Se não voltar dentro de um mês ou dois, vai atrás dele e liquida-o"
Sábado, Julho 15, 2006
Ai as mãos e os cus...
Apalpei-lhe o cu, sob uma saia leve e fresca, sem cuecas. Aquele cu magnífico, ebúrneo, roliço.
Porque não me bastou vê-lo horas a fio esta noite. Porque “o tacto é o mais desmistificador dos sentidos, ao contrário da vista, que é o mais mágico”.
Porque não me bastou vê-lo horas a fio esta noite. Porque “o tacto é o mais desmistificador dos sentidos, ao contrário da vista, que é o mais mágico”.
Domingo, Julho 09, 2006
Gay Pride!
Disse-lhe com cuidado:
É o primeiro no Porto. Portanto espera muitas DragQueens e muito anonimato.
Ela disse-me que já esperava.
Fomos, dançamos mais que todos, fodemos mais que todos, e quando me vi em casa pensei: mas qe raio é o "Pride" ?
Quinta-feira, Julho 06, 2006
A parceria.
Ela: Quem é a tua parceira no par de dois?
Ele: São várias.
Ela: Ou seja, escreves sozinho "vampirando" conversas que já tiveste?
Ele: Mais ou menos...
Ela: Hmmm pois... está bem... gosto dessa tua persona, mas tenho reservas muito minhas a esse projecto...
Ele: Como assim?
Ela: Acho que procuras parceiras mais ou menos imaginárias quando tens uma real que às vezes sente falta de ser tida em conta nessa dimensão mais intelectual da (tua) vida.
Ele: Não sejas tonta ... também podes escrever para lá.
Ela: Também gosto de desafios... eu tenho o meu (e sem reservas) e também podes escrever para lá... n'est ce pas?
Ele: Sim.
Quarta-feira, Julho 05, 2006
A religião.
Ela: Tenho estado sempre a trabalhar. Infelizmente não tem sido em prol do meu brilho pessoal. Nada dos materiais que tenho preparado têm revertido em favor da minha aula mesmo. Enfim... Olha amanha podias tentar sacar-me um programa para escrever pautas.
Ele: Um altruísmo nada profícuo...
Ela: Oh pá, que seja tudo pela remissão dos meus pecados.
Ele: Em que igreja costumas parar?
Ela: É uma igreja muito pessoal. Mas podes crer que lá existe lugar a confissões, pecado, inferno e céu, até mesmo santidade.
Ele: E freiras, há?
Ela: És um perverso... não na minha igreja não há freiras.
Ele: Logo vi que era uma coisa muito patriarcal.
Ela: Palhaço! Não é patriarcal... é igualitária. Não é ninguém casado com deus... seja a relação hetero ou homo.
Ele: Bah! Soa-me a rancho no Texas, a poligamia e a gurus impregnados de perversa intolerancia hebraica. Mas pronto, se não me pedires donativos tá tudo bem. Dorme bem... e sonha com anjinhos texanos.
Ela: Beijos
Segunda-feira, Julho 03, 2006
Prolongamento.
Acaba o jogo. Empate. Vamos a prolongamento. Mesmo com intervalo pelo meio (mais um) o jogo pede definição. Nem que o resultado não se altere, a clareza pede-se para evitar os remates da marca de grande penalidade; porque são injustos, matreiros, dependem dum só movimento e da inspiração do momento. Roemos as unhas para que tal não seja preciso. Que fique empatado para sempre? Porque não? Que não haja derrotado? Porque sim? Que o jogo nunca acabe? Seria bom, mas um dia vai ter que acabar. Esperemos pelo prolongamento e depois vemos.
Quinta-feira, Junho 29, 2006
Intervalo do intervalo.
Intervalar é bom. Toda a gente intervala, mesmo entre intervalos.
Hoje o intervalo sou eu, amanhã é ele, depois de amanhã ela. Mas ainda bem que há intervalos.
Fazem descansar a vista, refrescar a goela, repor o nível de nicotina, discutir o avanço do enredo, abraçar quem nos acompanha depois das mãos suadas de meia sessão de carícias disfarçadas.
Mas que o raio dos intervalos me fazem desesperar pelo fim do filme, lá isso fazem!
Além disso há sempre a possibilidade sub-reptícia de se sair a meio, esquecer o resto do filme, e abandonar a sala sem que os outros olhem para nós com desdém ou com inveja da nossa determinação.
Depois, nos intervalos, há o retirar do "silêncio" dos telemóveis. Ou não. Podemos querer que quem nos liga pense que ainda estamos a meio da sessão. Incómodos toques, chamadas e mensagens, no intervalo ainda serão o mesmo. Só depois do fim do filme.
Ai os intervalos.
E depois se nos perdemos no bar a beber mais uma cerveja, perdemos com ela o olhar da Ingrid para o Bogart e ficamos a não perceber porque é que no final ele não a impede de embarcar no bimotor com destino a Lisboa com o Lazlo...
São assim os intervalos.
E acaba aqui o intervalo do intervalo.
Hoje o intervalo sou eu, amanhã é ele, depois de amanhã ela. Mas ainda bem que há intervalos.
Fazem descansar a vista, refrescar a goela, repor o nível de nicotina, discutir o avanço do enredo, abraçar quem nos acompanha depois das mãos suadas de meia sessão de carícias disfarçadas.
Mas que o raio dos intervalos me fazem desesperar pelo fim do filme, lá isso fazem!
Além disso há sempre a possibilidade sub-reptícia de se sair a meio, esquecer o resto do filme, e abandonar a sala sem que os outros olhem para nós com desdém ou com inveja da nossa determinação.
Depois, nos intervalos, há o retirar do "silêncio" dos telemóveis. Ou não. Podemos querer que quem nos liga pense que ainda estamos a meio da sessão. Incómodos toques, chamadas e mensagens, no intervalo ainda serão o mesmo. Só depois do fim do filme.
Ai os intervalos.
E depois se nos perdemos no bar a beber mais uma cerveja, perdemos com ela o olhar da Ingrid para o Bogart e ficamos a não perceber porque é que no final ele não a impede de embarcar no bimotor com destino a Lisboa com o Lazlo...
São assim os intervalos.
E acaba aqui o intervalo do intervalo.
Segunda-feira, Junho 26, 2006
Retoma no Domingo.
Até domingo vou parar. Por mim, por ela e pelas equações. Assim as variáveis serão constantes e os cálculos mais precisos. Só até domingo.
Domingo, Junho 25, 2006
Um lugar lá dentro.
- Tenho saudades tuas.
- Eu também tenho saudades minhas; parece que não ando em mim estes dias...
- Queria ouvir que também tinhas saudades minhas mas não consegui.
- Sim, tolo! Também tenho saudades tuas, mas evito dizê-lo. Entendes-me?
- E quanto tempo mais vai durar a esquiva?
- Sei lá... eu só penso nisto, pelo menos essa garantia tens! Ando praqui a imaginar futuros... a ponderar desejos...
E eu devia ter dito que nesses futuros e desejos, imaginados ou reais, lá estaria, omnipresente e efectivo. Mas ela tem que arrumar o seu futuro, e congelar os seus desejos.
- Eu também tenho saudades minhas; parece que não ando em mim estes dias...
- Queria ouvir que também tinhas saudades minhas mas não consegui.
- Sim, tolo! Também tenho saudades tuas, mas evito dizê-lo. Entendes-me?
- E quanto tempo mais vai durar a esquiva?
- Sei lá... eu só penso nisto, pelo menos essa garantia tens! Ando praqui a imaginar futuros... a ponderar desejos...
E eu devia ter dito que nesses futuros e desejos, imaginados ou reais, lá estaria, omnipresente e efectivo. Mas ela tem que arrumar o seu futuro, e congelar os seus desejos.
Sábado, Junho 24, 2006
As histórias da mãe dela.
Era uma vez um casal moderno, moderno demais que fazia com que os seus vizinhos pensassem que afinal não eram um casal de facto, coisa que, de facto, não eram. A metade feminina do casal, suposto, suposto moderno e moderno supostamente, essa metade era quem cuidava das crias e quem trocava contactos com a vizinhança (supostamente conservadora e omnipresente observadora da história a contar, em jeito de narrador). A metade masculina do casal, suposto e insuspeito, era um senhor que não alimentava as crias, não aparecia no ninho, e que, como uma sombra vaga mas densa, abençoava os petizes e assinava os papeis. Uma metade da vizinhança, a mais clarividente e menos imiscuída, pensava no pai dedicado, que trabalhava de Sol a Sol, voltando a casa quando tal lhe era permitido, ou quando o astro maior era vencido pelo menor; e aí já era Luar e a sombra mais recortada mas ao mesmo tempo menos volumosa era só mais uma sombra vista da janela. Mesmo assim. A outra metade da vizinhança, a mais empírica e pragmática, por nem sequer ver a sombra, nem fazia ideia da existência de quem sequer pudesse fazer sombra, ao Sol ou ao Luar, quanto mais de quem pudesse estar presente, efectivamente. Entre metades de casal, suposto, e metades de vizinhos, que supunham, ficava uma casa viva que funcionava de acordo com regras e desejos que não eram comuns a todos eles (os supostos vizinhos e os, supostamente, consortes). E supostamente, depois (e apesar) desse equívoco social e dessa intriga comunal, veio essa minha grande dúvida (e dela também) que supostamente seria a forma de quem eu seria a sombra. |
Sexta-feira, Junho 23, 2006
Litotes e Melodramas
Hoje fui ter com ela.
Disse-lhe que sim e que não.
Disse-lhe que sim porque o não era feio e disse-lhe que não porque o sim era bonito demais.
Disse-lhe talvez porque o sim e o não, juntos ou separados, seriam demasiado opostos ou demasido próximos.
Ela disse-me talvez, porque o não seria definitivo e porque o sim seria inatingível.
Depois disse-me que não porque o talvez seria magro e o sim gordo demais.
Depois ainda disse-me que sim, porque o não seria doloroso e o talvez cruel demais.
Depois não dissemos mais nada e fomos dormir.
(Litotes - Figura de retórica pela qual, em vez de se afirmar algo de forma positiva, se nega ou se atenua o seu contrário, de forma a realçar ainda mais a afirmação disfarçada.)
Quarta-feira, Junho 21, 2006
O Fundo da música.
É no fundo dessa música que cantarolávas que me encontro. Porque depois de tantas vezes cantarolada já sei a letra de cor. Uma letra que parecia querer não decorar por me saber efémera e passageira (logo eu que gosto de melodias com letras que persistem no tempo). Mas agora que já percebo a letra, percebo também a vezes que a cantarolaste, e porque o fizeste. E uso aqui o “cantarolar” porque é jovial, coisa de menina de saiote, soquete e sapatinho de verniz. Coisa que já não és, claro, mas que no fundo, na música, serás sempre. |
Terça-feira, Junho 20, 2006
Música de fundo.
Hoje sonhei que era com Ela que vivia na Graça. Sonhei que a levava pela mão ao eléctrico pela manhã. Ela ia à sua vida, eu ia continuar a minha (sejam elas quais forem). Era uma daquelas manhãs claras e frescas de Lisboa, daquelas que permitem ver o Tejo e a outra margem a partir do Largo de Santana. Passamos por baixo do arco da rua aos saltos até à paragem. Pede-me ela que lhe prometa, e eu prometo, que lhe mostre todos os candeeiros de Alfama, logo à noite, depois de jantarmos. Vem o 28, ela entra e põe-se à janela a mandar-me beijinhos até a perder de vista na curva em frente à Toca do Rato. Acordo. Ela está ali ao meu lado, nua e quente, a sonhar talvez com outras paragens, pessoas, eléctricos e planos para depois do jantar. E tinha acabado de dar o José Viana com o seu “Zé Cacilheiro” e começado logo a seguir o “Fado Falado” do João Villaret. Terá sido a música de fundo a fazer o meu sonho? |
Sábado, Junho 17, 2006
Nasci para a música.
Ontem fiz música. Fiz das coxas dela uma guitarra e dedilhei-lhe os dedos dos pés enquanto marcava o ritmo, desordenado, com a minha pélvis. Quanto mais forte era mais me recordava um gemido familiar que sabia não estar ali, mas que sabia ser dali. A cama rangia como sempre mas desta vez com uma voz diferente, mais estranha e menos sincopada. No final, esforçado como nas novelas, agarrei-lhe os cabelos e disse-lhe: “Amo-te. Amo-te por seres quem deverias ser, por me deixares tocar melodias minhas no teu corpo.” Sim, porque as melodias são minhas, o corpo é teu mas a ordem das notas já alguém as ditou. |
Sábado, Maio 27, 2006
Depois de Tudo
| Depois de tudo, O Sol apareceu. Rajadas de luz cortaram o meu quarto quente em fatias de vidro em brasa, Assim, De veludo. Depois de tudo, As paredes ressoadas e brilhantes, os borbotos redondos e vibrantes, aconteciam-me conforme eu olhava para eles, Assim, De soslaio. Depois de tudo, Encontro o meu espaço aberto, vazio de nada e cheio de tudo, Assim, Tão leve. Depois de tudo, Adormeço a sonhar o céu e as nuvens, Sol e a Lua, devagar, Assim, Tão devagar. |
Quarta-feira, Abril 12, 2006
Embrulha!
Ela: E o que faço com as saudades tuas que tenho?
Ele: Oh baby, fazes o mesmo que eu:
Embrulhas em papel pardo, seguras com uma fita de sisal, rematas com um lacre
escarlate e reservas até nos encontrarmos.
Ou melhor…
Embrulhas-te em papel pardo, vestes-te com uma fita de sisal, rematas com os
lábios escarlate e, sem reservas, encontras-me.
Deal?
Ele: Oh baby, fazes o mesmo que eu:
Embrulhas em papel pardo, seguras com uma fita de sisal, rematas com um lacre
escarlate e reservas até nos encontrarmos.
Ou melhor…
Embrulhas-te em papel pardo, vestes-te com uma fita de sisal, rematas com os
lábios escarlate e, sem reservas, encontras-me.
Deal?
Quinta-feira, Março 23, 2006
Preciso duma caneta!
“Preciso duma caneta”
Quero escrever o meu [sorriso] a preto num papel virgem de letras.
Preciso duma [caneta] alegre que [o] marque indelével ao sabor da minha [mão].
Preciso duma [mão] contente que [a] guie levemente ao brilho dos meus [olhos].
Preciso dum [calor] ameno que [os] faça semicerrar ao pulsar do meu [coração].
Preciso duma [vertigem] louca que [o] faça pulsar e guiar e marcar o meu [sorriso], a preto, num papel virgem de letras.
Preciso duma caneta, raios!
Quero escrever o meu [sorriso] a preto num papel virgem de letras.
Preciso duma [caneta] alegre que [o] marque indelével ao sabor da minha [mão].
Preciso duma [mão] contente que [a] guie levemente ao brilho dos meus [olhos].
Preciso dum [calor] ameno que [os] faça semicerrar ao pulsar do meu [coração].
Preciso duma [vertigem] louca que [o] faça pulsar e guiar e marcar o meu [sorriso], a preto, num papel virgem de letras.
Preciso duma caneta, raios!
